Alinhamento Organizacional

Nivelar o conhecimento de todos os colaboradores sobre o propósito e os valores que norteiam uma instituição e conseguir o engajamento da totalidade da equipe em direção a um objetivo comum. Esta é a fórmula, nada mágica, para o caminho de sucesso de um empreendimento.

Este é o desafio, nem simples, nem tampouco fácil, de homens e mulheres que hoje dirigem empresas e sofrem a constante pressão da entrega de resultados.

Como levar os times a concentrar esforços para a conquista dos resultados? Como conseguir que haja unicidade ao mirar uma meta comum? De quem depende o sucesso desta empreitada? A resposta é única: é a liderança que cria este ambiente e é dela que depende o sucesso da forma como ele ou ela consegue conquistar a adesão e o comprometimento de daqueles que formam a empresa.

No passado, bem lá atrás, quando o trabalho era todo artesanal, ainda nos séculos XVI e XVII, os funcionários de uma marcenaria, por exemplo, ao produzirem uma mesa conheciam todo o processo de trabalho e sabiam o que estavam fazendo e o porquê. Muitas vezes, sabiam também quem era o cliente e o conheciam pelo nome, quando não, também conheciam a sua família, gostos e preferências. A informação fluía naturalmente – menos dados, menos pessoas, mais proximidade, produção pequenas, processos menos complexos.

Vamos fazer um salto de um a dois séculos na história: o mundo se tornou mais rico, as necessidades aumentaram, a demanda cresceu e começamos a dividir o trabalho em etapas. Assim, quem fazia o todo naquela mesma marcenaria, passou a fazer somente uma parte da mesa – ou cortava, ou fazia os pés ou era responsável pelo tampo. Começaram a se afastar do objetivo final, que é o de fazer uma mesa, e se distanciaram do cliente.

Mais uma transição de tempo e espaço e chegamos na linha de produção. A pessoa, quando perguntada, não vai mais responder que faz uma mesa. Vai simplesmente dizer que corta a madeira. Até porque muitas vezes não sabe ao certo para que serve o seu trabalho. E esta é a realidade para uma importante parcela das empresas.

Sentimos que o valor do trabalho perdeu a referência. Deixou de ser um meio de aprendizado e desenvolvimento. O sujeito que era um artesão e via o sorriso do cliente ao lhe entregar a mesa, passou a ser considerado um recurso, um autômato, sem vontades, crenças ou aspirações.

Podemos definir este processo como a desumanização das relações e do trabalho. E aqui nasce o desafio que os líderes enfrentam hoje.

Como voltar a criar nas pessoas o sentimento de fazer parte, de saber que o que faz é importante para o todo? Como fazê-las entender que seu esforço é para a produção da melhor “mesa” que todos podem fazer juntos?

Os líderes são responsáveis por apresentar a estratégia

A liderança das empresas precisa urgentemente ter consciência de seu papel agregador e disseminador de informações. A distância entre as decisões importantes e a comunicação das decisões, que era mínima nas empresas menores, torna-se cada vez maior quando a empresa cresce. São os líderes os responsáveis por apresentar e traduzir a estratégia para todos os níveis da empresa. E não basta uma vez ao ano ou em reuniões pontuais – os líderes devem estar constantemente preocupados com o deployment da estratégia e de suas atualizações ao longo do tempo.

Além de assimilar a estratégia, deve estar muito claro para os colaboradores qual é a missão do negócio. Todos devem saber responder porque estamos aqui e para que fazemos o que fazemos.

Não basta falar, tem que se fazer entender

Mais importante ainda, a empresa precisa dispor de mecanismos e sistemas de comunicação que garantam que a informação foi passada e entendida. E a comunicação não é só a palavra falada ou escrita – é a palavra vivida. Temos que ter coerência e consistência entre o discurso e a prática, ou não haverá sistema de comunicação capaz de operar um milagre. “Walk the talk” não é uma expressão de moda, é um imperativo.

A pior barreira não é a física, mas a que criamos

É certo que, dependendo de como as pessoas estão estruturadas, a comunicação fica mais difícil em função dos obstáculos criados. Mas a maior barreira é a que construímos ao não nos dedicarmos uns aos outros e nos importarmos somente com o que pensamos. Temos que reduzir a distância que nos separa das outras pessoas sendo sinceros, transparentes e confiáveis.

Voltar a humanizar

As empresas, além de sua missão social de resolver um problema da sociedade e melhorar a vida das pessoas, também devem ser vistas como comunidades de pessoas. E pessoas livres que precisam enxergar nas empresas as oportunidades de crescimento e aprendizagem, e perceberem o alinhamento de seus projetos pessoais e valores aos das empresas. Quando isso acontece é que se cria um ambiente favorável para o sucesso do empreendimento.

Isto é, empresas e pessoas precisam ter uma forte identificação para que caminhem juntas na mesma direção.

Sobre
Carlos Racca
Professor do Departamento de Operações, Tecnologia e Informação e Professor de Empresa-Família. Senior Lecturer | IESE Business School Programas de Aperfeiçoamento em Direção de Empresas IESE Business School e IAE Graduação em Engenharia Elétrica Escola Politécnica da USP Carreira executiva como Diretor Geral | Reliance no Brasil Também atua como Diretor Acadêmico de Custom Programs do ISE Business School carlosracca@ise.org.br

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