A tradução para o português da expressão “Triple Bottom Line”, atribuída ao professor John Elkington em 1994 é “Tripé da Sustentabilidade”. “Sustentável” significa “que tem condições de se manter ou conservar”. Enquanto sua versão original em inglês remete à última linha do demonstrativo de resultados contábil, a tradução ganha um sentido interessante: o que -mantém- a empresa? E o que a levará ao futuro?

Como foi pensado por Elkington, este tripé está definido por pessoas (people), meio ambiente (planet) e resultados (profit). Apesar de o conceito do Triple Bottom Line ser relativamente recente, o alicerce é a Responsabilidade Social Corporativa, termo cujas raízes remontam à década de `50 e que suporta pensamentos complementares com um denominador comum: como a empresa interatua com o seu meio. O Tripé da Sustentabilidade, assim como a teoria de Valor Compartilhado de Michael Porter, traz fatores como a sustentabilidade, responsabilidade e ética aliados à estratégia, e não à margem. Não é filantropia, mas pensar o negócio, o meio onde está inserido, e as pessoas que dele participam direta ou indiretamente como ativos, não externalidades.

O assunto divide opiniões: de um lado estão os que acreditam que as empresas devem atuar considerando seus stakeholders, não somente seus stockholders. De outro, temos também vários citando Milton Friedman em um artigo ao New York Times (de 1970): “a responsabilidade social do negócio é aumentar seu resultado”. Esta posição é sustentada pela convicção de que o empresário, ao escolher investir em iniciativas que não contribuem para o sucesso econômico da empresa, estará contra seu próprio papel como diretor, CEO, dono: estará atribuindo à empresa uma responsabilidade que não lhe é própria e, no longo prazo, consumindo recursos essenciais para sua sobrevivência e competitividade.

Essa dicotomia, porém, é aparente. Friedman ressalta que para exercer sua responsabilidade como executivo-chefe da empresa, sua primeira responsabilidade é para com seus empregadores, que exigirão “a condução do negócio de acordo com suas vontades, que geralmente será ganhar tanto quanto possível, em conformidade com as regras básicas da sociedade, tanto legais como éticas”, e que, em todos os casos, o executivo é livre para aceitar ou não essas exigências. Para Elkington, uma empresa pode incorporar o Tripé da Sustentabilidade como uma vantagem competitiva, diferenciando-se no mercado, incrementando seus resultados e também posicionando a empresa para o futuro. O ponto comum, provavelmente tão relevante antes como hoje, é que as repercussões das decisões livres e deliberadas dos executivos precisam sim considerar a manutenção da empresa no futuro, e com ela, também destes ativos únicos – pessoas e meio ambiente – que estão aos seus cuidados. Enquanto para conseguir bons resultados econômicos a empresa requer pessoas com excelência técnica, para que estes resultados sejam éticos e duradouros, a mesma requer pessoas com excelência humana. Não é um problema pensar em crescimento ou resultados, mas o tripé, igualmente distribuído, é certamente mais estável.

Sobre
Natália de Castro
Professora de Gestão de Pessoas, Contabilidade e Controle e Responsabilidade Social MBA IESE Business School Graduada em Contabilidade com ênfase em Finanças | Universidad Panamericana, México Atuou como Brazil Controller para as unidades de negócios que compõem a carteira Banking no Banco JP Morgan, entre elas Fusões e Aquisições, Mercados de Dívida e Capitais, e Serviços de Tesouraria. Desenvolveu sua carreira no Brasil e América Latina nas diferentes áreas de Finanças, destacando-se Controladoria, Análise e Planejamento, e Business Management. natalia.castro@ise.org.br 

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