As Utopias: ensaios sobre a cegueira

O ser humano nunca deixará de criar Utopias para fugir da Realidade. Trata-se de um desejo incontido de felicidade e realização, de sonhar com um mundo melhor, sem problemas ou dificuldades.

É um inconformismo ante o imperfeito, deficiente, injusto e inadequado.

No entanto, as utopias mostram-se, cedo ou tarde, o que são: ilusões temporárias de felicidade. O espírito humano, sedento de sentido, sempre se lança em busca daquilo que pensa poder completá-lo. Tal procura manifesta a fome de transcendência, insaciável e constante que temos no coração.

Sempre seremos o que somos: deficientes por constituição, incompletos por definição, finitos por natureza. Ao mesmo tempo, levamos dentro ânsias de perfeição, completude, infinitude.

A Utopia busca transformar fragmentos de felicidade em algo eterno. Sonho de insensatos!

Esquecemos que viver é enfrentar-se com luzes e sombras.

Esquecemos que a vida é como é, ora apresenta-nos seu lado triste, ora nos mostra seu rosto alegre. Por vezes nos afaga e por vezes nos maltrata.

Cabe a nós levá-la com coragem e otimismo, sentido de realidade e missão.

Dizia Mark Twain que a verdade é mais estranha que a ficção, porque a ficção precisa fazer sentido, e a verdade, não. Esquecemos que viver é melhor que sonhar!

Sobre
Cesar Bullara
Professor do Departamento de Gestão de Pessoas e Professor de Ética nos negócios. Lecturer | IESE Business School. Doutor e Mestre em Filosofia Pontifícia Università della Santa Croce, Roma. Graduação Administração de Empresas FEA – USP. Professor do Programa Estratégias Digitais para Empresas de Mídia. Professor visitante IEEM – Uruguai. Coordenador de projetos e pesquisas em Responsabilidade Social.

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