Em 2002 a associação americana responsável pela acreditação das escolas de negócio em todo o mundo – a AACSB (Association to Advance Collegiate Schools of Business) – propôs que a disciplina focada em Sistemas da Informação (SI) fosse retirada dos currículos de graduação e pós-graduação.
Esta possibilidade de erradicação gerou uma grande reação da área acadêmica de MIS (Management Information System) e fomentou uma grande discussão sobre o papel das tecnologias da informação (TI) no ambiente de negócios e na consequente formação dos administradores.
O resultado final foi a manutenção da disciplina nos currículos e a confirmação, na última edição das diretrizes da AACSB, publicada em 2013, de que a TI “tem um impacto nas práticas de negócio” e que os administradores deveriam estar “aptos a usarem as tecnologias atuais em contextos de negócios e gestão”.
Mas afinal de contas, o que os administradores precisam realmente saber sobre SI ou TI?
A primeira questão a resolver, e que também é alvo de confusão entre os próprios professores e pesquisadores, é a diferença entre “TI” e “SI”. Frequentemente estas terminologias são usadas como se fossem sinônimos, quando, na verdade, não são.
Partindo dol conceito clássico de “sistema” – como sendo um arranjo ou uma combinação de coisas, ou partes, que formam um todo unitário e mais complexo – uma definição para ‘sistema de informação’ seria a de um sistema sócio-técnico, formado por dimensões técnicas (equipamentos, programas, procedimentos) e sociais (pessoas, normas, relacionamentos).
Em outras palavras, um ‘sistema de informação’ é uma combinação de tecnologias, pessoas, procedimentos e conhecimento para lidar com informação. Sendo assim, uma empresa, uma firma, uma organização, que é alvo principal do trabalho de um administrador, é um SI.
Esta confusão é alimentada pelo fato de, muitas vezes, chamarmos de sistema um conjunto de programas ou pacotes de software. Compramos um “sistema de folha de pagamento”, implantamos um “sistema de controle de produção”, e por aí vai.
Uma investigação histórica mostra que o termo ‘tecnologia da informação’ surgiu justamente na área de management science, durante os anos 60, nos Estados Unidos. Seu significado estava relacionado às “técnicas matemáticas computadorizadas projetadas para substituir os gerentes de nível médio”.
Até a década de 1980 as publicações da área de management davam preferência ao termo ‘sistemas de informação’ mas, depois disso, o uso da expressão tecnologia da informação finalmente tornou-se comum.
Parece óbvio então que um administrador saiba lidar com um SI, pois esse é seu objeto de trabalho. A questão volta-se, portanto, para que tipo de conhecimento ele precisa ter sobre TI.
Conhecimentos Essenciais
A TI tornou-se tão penetrante em todas as atividades relacionadas à Ciência da Administração por conta da importância da informação para essas atividades. Informações do ambiente, do estado atual da organização, dos seus produtos, de como está seu mercado, de como funciona sua estrutura de custos, e muitas outras. Tudo envolve informação.
A forma como essas informações são obtidas e processadas com certeza é de interesse do administrador. A busca de eficácia e eficiência nesses processos por si só já justificam o envolvimento do administrador com esse tema.
Da mesma forma que não questionamos a administração de recursos humanos, a administração da produção ou a administração de custos, não deveríamos questionar a importância da administração da informação.
Talvez este termo: ‘administração da informação’ pudesse ser mais utilizado nos programas de escolas de negócio, em lugar da expressão ‘sistema da informação’. A palavra sistema complica a explicação para um público que deveria ter essa explicação de forma mais objetiva.
Muitos profissionais que lidam com a “TI” acabam por valorizar muito mais o “T” da tecnologia do que o “I” da informação, e tornam toda a discussão sobre TI uma decisão sobre investimentos em equipamentos e programas, quando na verdade esta discussão é sobre “o que fazemos com a informação”.
O próprio guia COBIT (Control Objectives for Information and related Technology) simplifica o discurso para esse público ao focar sua preocupação nos critérios que a informação (objeto de estudo dos pesquisadores da área de SI) deve atender para melhor responder aos requisitos de negócio (objeto de estudo dos administradores).
Estes critérios são os da eficácia, eficiência, confidencialidade, integridade, disponibilidade, conformidade e confiabilidade. Com certeza estes temas são de interesse de qualquer Administrador.
Sendo assim, respondendo à questão proposta, talvez devêssemos ensinar os estudantes de Administração a melhor administrar a ‘informação’. Para isso, existem algumas ‘tecnologias’ (equipamentos, procedimentos, práticas) sobre as quais devem ter alguma noção, mas a respeito das quais poderão (e deverão) contar com o apoio de outros profissionais especializados (analistas, técnicos, engenheiros, especialistas de segurança, etc).
Nesta preocupação com a informação, as técnicas e os profissionais envolvidos formarão um grande sistema que até ultrapassa os limites da empresa. Os estudantes de Administração precisarão se converter em experts em sistemas de informação apenas se isso for suficientemente impactante para o seu negócio. Caso contrário, devem se contentar em compreender como a informação é adquirida, processada, armazenada e, por fim, definir como deve ser utilizada nas suas decisões.
O Programa Accountability propõe uma reflexão a respeito dos elementos chave para a implementação de uma gestão Accountable, partindo da missão, da estratégia organizacional até os mecanismos de controle, dando luz aos principais paradoxos e dilemas que enfrenta um executivo no exercício da liderança que busca coerência no modelo de gestão em vigor.
