Uma das grandes preocupações das ações governamentais foi prover crédito às empresas para que pudessem cobrir seus custos e despesas num ambiente de redução significativa de receitas, principalmente aquele voltado à folha de pagamento (emprego).
Como já mencionei em outro artigo, a flexibilização trabalhista foi importante, porém não é só a folha de pagamento que tira o sono do gestor, apesar de representar parte significativa dos custos e despesas para a maioria das empresas no Brasil. Outras medidas foram tomadas para dar ao empresário o crédito necessário, porém sua efetividade tem sido questionada, dado que os recursos não estão chegando a quem precisa.
Uma pesquisa do Sebrae divulgada em maio atesta que durante a pandemia, em média, os pequenos negócios [1] perderam cerca de 60% do seu faturamento. Em alguns setores esta perda foi ainda maior: economia criativa, queda de 74%; turismo, queda de 75%; nas academias e negócios relacionados a atividades físicas, queda de 69%.
Dada a fragilidade da maioria dos pequenos negócios no Brasil, poucos estavam preparados para tamanho golpe, que foi bastante violento e repentino.
Queria destacar alguns pontos sobre gestão financeira que considero importantes para este momento. Alguns deles não são aplicáveis no curto prazo e, portanto, podem não ajudar num momento como esse, porém outros serão úteis. De qualquer forma, são pontos importantes para qualquer gestor ter em mente:
- Saiba calcular a sua necessidade de caixa: essa mesma pesquisa do Sebrae trouxe à tona como os pequenos negócios são, muitas vezes, geridos por pessoas pouco preparadas. A pesquisa mostra que 21% dos gestores não conseguia dizer se iriam necessitar de crédito por conta da pandemia.
- Mantenha bom relacionamento com seus fornecedores de crédito: invista neste relacionamento. Ele não é construído do dia para a noite e, como todo relacionamento, é baseado na confiança. Faça com que o seu gerente de relacionamento entenda o seu negócio. Porém, não fique à mercê de um único fornecedor de crédito. Assim, coloque essa atividade no seu dia-a-dia e faça a gestão deste relacionamento de maneira atenciosa, tentando manter sempre linhas de crédito disponíveis. Nesta crise, apenas 14% das empresas que pediram crédito, conforme a pesquisa do Sebrae, obtiveram sucesso. A taxa de sucesso é maior entre as cooperativas (31% de sucesso) do que entre os bancos (12% para bancos privados e 9% entre os bancos públicos).
- Pondere o trade-off entre a velocidade de crescimento e o nível de liquidez seguro para a empresa: é inevitável que as empresas que conseguirem sair da crise ponderem de maneira diferente o trade-off entre liquidez e crescimento, talvez optando por crescer menos com maior liquidez. A estrutura do ciclo de caixa, da maioria das empresas brasileiras, é bastante complicada: recebe em 12 vezes (ou descontam com taxas altas) e pagam em um prazo de 30 a 60 dias, se é que conseguem crédito comercial. Mesmo com uma boa gestão de estoques, não sobra muita liquidez para financiar crescimento. Isso irá forçar os empresários a escolherem muito bem o momento de crescer e o tipo de financiamento para esse fim.
- Reavalie suas despesas e seus custos: numa crise, é importantíssimo saber distinguir o que é essencial do que que não é. Centralize as aprovações de pagamentos e/ou coloque padrões rigorosos para qualquer saída de caixa. Aproveite para avaliar como reduzir custos e despesas para manter a sua operação, mesmo com restrições importantes de receita. Nesta revisão, inclua as despesas e amortizações financeiras.
- Reavalie suas negociações comerciais: assim como falamos sobre os relacionamentos bancários, o relacionamento com fornecedores e clientes é muito importante. Muitas empresas grandes, e que podem, estão ajudando a cadeia onde estão, até como forma de assegurar seu futuro. De qualquer forma, faça uma análise dos seus recebíveis, entendendo quais são aqueles passíveis de adiantamento (com descontos) e quais aqueles que você não deve conseguir cobrar. Em relação aos fornecedores, classifique seu Contas a Pagar de acordo com a facilidade de negociação e negocie descontos ou aumentos de prazos. Comece a negociar com seus clientes e fornecedores desde os primeiros sinais de crise, não deixando para a última hora, pois você poderá ser o último da fila.
Por fim, considere novas formas de gerar receita. Não foi incomum, durante estes meses de pandemia, conversar com empresários que mudaram seus produtos com algumas alterações no seu processo produtivo, sem que, necessariamente, estas alterações significassem investimentos adicionais. Um exemplo disso é o de um empresário de uma empresa de cosméticos que, já no começo da pandemia, transformou sua linha para produzir álcool gel. Esse movimento foi extremamente importante pois 73% dos salões de beleza no Brasil estão fechados, com perdas de receita que beiram os 60%. Alguns restaurantes, de certa forma, também fizeram isso ao “optarem” pelo delivery. Uma das conclusões principais da pesquisa do Sebrae, com pequenos negócios, é de que estas empresas estão sofrendo uma transformação digital forçada, onde tentam, através das redes sociais, da adesão aos aplicativos de delivery e aos marketplaces, reverter os efeitos da pandemia nas vendas.
Para concluir, nem todas as empresas que entraram no turbilhão da pandemia sairão bem do outro lado, infelizmente. A empresa que sair será, seguramente, diferente daquela que entrou. Da mesma forma, o país será diferente e já sabemos de antemão que o futuro próximo será difícil, principalmente porque precisaremos enfrentar desafios fiscais bastante grandes. Mas vamos, de maneira paciente e com muita resiliência, enfrentar um desafio por vez, com a certeza de que sairemos mais fortes dessa situação em que entramos.
[1] Empresas com faturamento menor que R$ 4,8 milhões que incluem microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.



A nossa crise não é só PÓS PANDEMIA, a nossa crise é o ESTADO!
Nesse País paga-se imposto para Trabalhar, para empreender e para consumir.
Então quando se fala em impostos, esses impostos tem que ser pago por alguém, ou seja, é pago pelo consumidor, acionista e trabalhador. Não tem mais de onde vir.
Não há nenhum Papai Noel, nenhuma fada dos dentes. Esse ano de 2020, segundo a estimativa do FMI a dívida Pública tende a chegar em 103%, ou seja, a dívida será maior que o PIB ( toda riqueza produzida pelo País), o Senado em Outubro já sinalizou que a dívida Pública está em 90% do PIB. Quem vai pagar a conta? Óbvio que são os contribuintes! Em resumo, quem vai pagar a Dívida Pública são os consumidores, os empresários e os Trabalhadores. Não há nenhum Papai Noel, nenhuma fada dos dentes. Em péssima medida, quem vai pagar a conta somos nós.A pergunta que não quer calar…
O Governo foi criado para servir ou ser servido? Como ser empreendedor inserido em um GOVERNO GASTADOR? E que para pagar suas dividas torna-se o sócio majoritário do teu negócio… Infelizmente essa é a triste realidade de que produz, entretanto a riqueza deveria ficar com quem produz e não com o Estado!