O papel do Conselho e do CEO para o crescimento sustentável das organizações

Conselho e CEO têm como principal responsabilidade o crescimento sustentável da empresa no longo prazo.

Nesta tarefa, apesar de o Conselho representar, principalmente, o interesse dos acionistas, deve também cuidar do interesse de outros stakeholders, como, por exemplo, a remuneração justa dos colaboradores e a satisfação dos clientes que, com sua fidelidade, pagam pelos serviços e produtos oferecidos pela empresa.

Atualmente é evidente que as empresas precisam responder aos mais diversos e imediatos desafios demandados pela sociedade, sem perder de vista a sustentabilidade perene.  Deve também constar da agenda do Conselho temas ambientais e sociais, levando em conta o fato de que a empresa, na sua operação, causa impactos que devem ser mitigados ou anulados ao longo do tempo.

O CEO reporta ao Conselho e é escolhido pelo mesmo para levar adiante a implementação da estratégia desenhada por ele e sua equipe e que antes foi discutida e aprovada pelo Conselho, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Board. O CEO vai ser cobrado, mas também vai ser auxiliado nesta tarefa. Neste sentido, é importante que o Conselho – como órgão colegiado de tomada de decisão – e o CEO tenham uma boa relação para o sucesso da empresa.

 

Relação Conselho de Administração/CEO

Para que esta relação seja construída de forma positiva ao longo do tempo, é importante levar em conta alguns aspectos:

Confiança mútua é a base desta relação e a quebra de confiança é fatal para o CEO. A assimetria de informações entre o Conselho e o CEO é muito grande. O CEO deve ter constantemente isto em mente, providenciando de forma espontânea e tempestiva informações importantes, de forma clara e precisa, que podem afetar a empresa tanto negativamente como de forma positiva. Desta forma, permitirá que o Conselho possa assessorá-lo nas suas necessidades e ajudá-lo com sua experiência coletiva na melhor tomada de decisões.

Definições claras de responsabilidades e níveis de alçada do Conselho e do CEO ajudam a minimizar possíveis conflitos e dão autonomia e liberdade para que o CEO possa conduzir a empresa. Deve haver um canal aberto de comunicação entre o CEO e o Presidente do Conselho para acelerar seu acesso ao Conselho quando necessário entre os intervalos temporais de reuniões.

 

Benefícios de um bom Conselho de Administração

Um Conselho bem montado, com rica diversidade de habilidades e experiências que atendam às necessidades atuais da empresa e que saiba trabalhar em time, é de grande valia para o CEO, e ele deve sempre explorar este benefício.

Por sua vez, um CEO bem-preparado tecnicamente, com boa capacidade de liderança e que saiba montar um time de alto desempenho, tem grande chance de apresentar bons resultados. Ao mesmo tempo, é importante ter humildade para buscar ajuda quando necessário.

Cabe ao Conselho escolher um CEO que não só tenha as características executivas citadas, mas também cujos valores sejam coerentes com a cultura da empresa definida pelo Conselho.

Uma das áreas onde o Conselho pode ajudar muito o CEO é no “pensar estratégico “. Por ter vários membros com experiência e com mais tempo livre, pode, constantemente, estar mapeando o ambiente macroeconômico, o surgimento de novas tecnologias, a entrada de novos concorrentes – inclusive com diferentes modelos de negócio, mas atendendo as mesmas necessidades dos clientes -, mudanças no ambiente regulatório, novas tendências e hábitos de consumo, entre alguns temas que geram riscos e oportunidades à empresa. Este mapeamento pode e deve ser discutido regularmente nas reuniões do Conselho, mas não é monopólio do Conselho, devendo ser estimulado em todas as partes da organização.

 

Mapeamento e gerenciamento de riscos

Outro tema importante que deve ser trabalhado pelo Conselho e pelo CEO é o mapeamento e o gerenciamento de riscos de alto impacto, com alta ou baixa probabilidade de ocorrência, se assegurando de que são evitados ou mitigados adequadamente sem colocar em risco a existência da companhia.

Neste breve artigo não levei em conta a estrutura acionária da empresa. O objetivo foi, antes, apresentar temas gerais que independem da mesma. Ainda assim, é obvio que a estrutura acionária influencia consideravelmente a relação entre o Conselho e o CEO e o balanço de poder entre ambos.

A constante transformação do mercado e da sociedade nos impõe estarmos sempre dispostos a refletir sobre o papel de um e de outro nesta relação para que, além de manter um processo decisório robusto e qualificado, o trabalho conjunto do CEO e do Conselho possa responder com agilidade à novas demandas sociais e de negócios.

Sobre
Fernando Bagnoli
Diretor e Professor do Departamento de Direção Geral Lecturer | IESE Business School Pós-Graduação e Especialização pelo IESE Business School / Kellogg Graduate School of Management / Wharton Business School / University of Michigan´s Ross School of Business Mestre em Engenharia Escola Politécnica da USP Engenheiro Escola Politécnica da USP Carreira executiva como Presidente da Quest International para a Ásia Pacífico e América Latina, Presidente da Steelcase do Brasil e Presidente da Umbro International para a América Latina. É membro independente de Conselhos de Administração fbagnoli@ise.org.br
Mostrando 5 comentários
  • Renata Moura
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    Excelente reflexão. Professor Bagnoli aporta sua formação acadêmica, sua experiência como executivo e como Conselheiro.

  • Fernando H. Rotondo
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    Parabéns Fernando Bagnoli! Excelente artigo, muito ilustrativo!

  • Elaine Nakamura
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    Obrigada professor pelas excelentes reflexões e aprendizado.
    Att

  • Francisco Garcia
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    Obg professor! Excelente conteudo!

  • Eliane Barbosa
    Responder

    Excelente reflexão.

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