Liderar a Transformação Digital

O Professor Ricardo Engelbert respondeu a algumas perguntas do Professor de Direção Geral Leonardo Azevedo sobre os desafios da ‘Transformação Digital’ nas empresas.

1. Como você define a transformação digital e em que estágio as empresas estão dessa mudança?

Costumo discutir em sala de aula, com os participantes de nossos programas, que a expressão ‘transformação digital’ mais confunde do que explica o que estamos vivendo. Para transformar-se é necessário conhecer a nova forma, o novo destino, o que invariavelmente não está ao nosso alcance atualmente, se é que algum dia esteve. Penso que o que estamos experimentando é uma necessidade de ‘adaptação’ constante às novas situações, clientes e concorrentes. A segunda parte da expressão – o ‘digital’ – nos leva a pensar muito em tecnologia, o que acaba nos desviando do maior desafio dessa adaptação que é a mudança cultural. Gosto de dividir o escopo da transformação digital em três aspectos que facilitam o entendimento: os sistemas tecnológicos – que se tornam cada vez mais um commodity-, os modelos de negócio – novos modelos ou adaptados a esse novo ambiente –, e o modelo organizacional, que é o mais negligenciado por justamente ser o mais complicado de adaptação. As empresas mais facilmente mudam seus sistemas e modelos, ao mesmo tempo que pecam ao pensar que as pessoas farão essa mudança de forma automática. Muitas pensam que estão transformando-se digitalmente, mas não perceberam que seus colaboradores não mudaram as formas de trabalhar e estão replicando processos e tarefas analógicas em um mundo digital ou mesmo resistindo fortemente a essa mudança.

2. Quais são os principais desafios das empresas não tecnológicas para realizar uma transformação digital?

Instintivamente somos seres que resistem à mudança. Fomos programados para desconfiar. A nova situação precisa provar-se muito melhor do que a atual para persuadir as pessoas a adotarem-na. Esse convencimento precisa reunir ações que vêm do topo da organização, tais como declarações claras de propósito e valores, alinhadas com ações de base como treinamento, disponibilização de ferramentas, políticas de reconhecimento e incentivos para que os que estão conseguindo adaptar-se sirvam de exemplo para os demais. A pandemia foi uma grande impulsionadora dessa mudança para todas as empresas, já que a situação criada representava muito risco e insegurança e incentivava todos a buscarem novas formas de gerar valor para seus clientes. As empresas tiveram que se adaptar às novas demandas e encontrar novas formas de trabalhar. Muitas estão sofrendo uma pressão enorme de fora para dentro para essa mudança e precisam rapidamente compensar essa pressão com esforços de dentro para fora, caso contrário serão destruídas pela mudança externa.

3. Quais são as principais características e práticas das empresas que implementaram boas transformações digitais?

Meus colegas do IESE Barcelona realizaram um grande estudo de casos de empresas que realizaram bons processos de transformação digital e chegaram a uma lista de seis mega competências para essa mudança, que detalhamos mais nos nossos programas:
• Pensar de “fora para dentro”: foco nas necessidades e problemas dos clientes.
• Orientação para aprendizagem: experimentar é uma fonte poderosa de conhecimento.
• Executar de forma ágil: reduzindo os ciclos de planejamento e execução de forma interativa e incremental.
• Quebrar silos: fomentando mais a colaboração entre áreas da empresa.
• Parcerias com o ecossistema: estando mais abertos a conexões com outras empresas e startups.
• Alavancar dados: prestar atenção ao que já está disponível e o que pode ser gerado de valor a partir destes e novos dados.


A transformação pede tempo. No entanto, o mercado e a transformação digital pedem agilidade e uma resposta rápida.

A partir de uma visão integral da transformação organizacional, o Programa Decisões 4.0, conduz os participantes por uma imersão que permitirá uma compreensão aprofundada das transformações digitais e suas implicações no contexto decisório.

Sobre
Ricardo Engelbert
Diretor dos Departamentos de Empreendedorismo, Operações, Tecnologia e Informação e Professor de Inovação e Direção Geral Lecturer do IESE. AMP – Advanced Management Program ISE-IESE Business School. Doutorado em Administração Universidade Positivo MBA em Gestão Executiva | FGV Graduação Engenharia Elétrica Universidade Tecnológica Federal do Paraná Carreira Executiva como Diretor de Unidade de Negócios Internet da GVT, Diretor de Serviços Internet, Diretor de Produtos e Novas Mídias. ricardo.engelbert@ise.org.br

Deixe um Comentário