PROGRAMA

Liderança Humanística para as empresas do futuro

Itinerário de Cultura Humanística

Programa com dois anos de de duração

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Contexto

Temos uma crise de liderança na América porque temos estado formando líderes que só sabem manter a rotina. O que temos agora são os maiores tecnocratas que o mundo jamais viu, pessoas preparadas para ser incrivelmente boas em algo concreto e específico, mas que carecem de interesse que vá além de sua área de especialização. O que não temos, precisamente, são líderes.

William Deresiewicz, As desvantagens de uma educação de elite.

O que queremos

Precisamos retornar àquilo que faz de nós seres sensíveis, inteligentes e livres. Precisamos reencontrar as bases de uma cultura humanística.

Quando falamos em “cultura humanística” referimo-nos a uma dimensão constitutiva da existência humana. Uma verdadeira cultura humanística é o solo sobre o qual se apoia a existência de cada pessoa. Um solo cultivado por princípios, valores, ideias, convicções e práticas acerca do que é o mundo e de tudo aquilo que o configura: as pessoas, a Natureza, as coisas, as ações e Deus – e de como tudo isso se relaciona entre si e conosco, dentro de uma escala de valores mais ou menos humanos, mais ou menos desumanos.

O modo de conhecer aquilo que é próprio do humano não se dá por meio do que costumamos chamar de “método” ou “conhecimento objetivo”, mas por meio daquilo que permite a compreensão da realidade, precisamente porque estamos diante de um modo específico de verdade – aquele que corresponde ao processo de autoformação da pessoa.

A beleza é a  manifestação estética da realidade  ética subjacente na existência.

Como faremos

Por meio da experiência da Beleza.

Toda vez que, enquanto humanidade, nos deparamos com este tipo de cultura, revivemos o sonho de Dostoiévski: a Beleza salvará o mundo. É a beleza que nos humaniza, que nos mostra e nos ensina o que é ser humano, o que é viver como ser humano. Assim, se quisermos resistir ao processo de desumanização, se quisermos resgatar o humano em nós, é preciso fazer a experiência da beleza.

Seguindo as intuições e sugestões do próprio Dostoiévski – para quem é impossível definir a beleza, já que ela é sempre um enigma e nunca se deixa desvendar completamente – assim como de muitos outros escritores, filósofos, artistas e humanistas dos mais variados períodos e contextos históricos, a beleza parece ser a manifestação da verdade, da realidade mais profunda das coisas, do mundo, do tempo, da eternidade, do Criador e das criaturas. Essa realidade se revela a nós, seres humanos, primariamente pelos sentidos – do corpo e da alma – mobilizando a inteligência e comprometendo a vontade.

É por meio da beleza que despertamos e nos lembramos (no sentido mítico e platônico) da mais profunda verdade, da mais profunda realidade – aquela que está, em certo sentido, escondida por detrás do que Dostoiévski chamava de “realidade rotineira” ou “ilusão cotidiana da realidade”, pesadamente recoberta de inúmeras camadas ideológicas, retóricas, sofísticas.

A beleza nos salva porque nos liberta dessas camadas narrativas e ideológicas; ela é a força que perfura todas essas mazelas, libertando e trazendo à tona, de forma potente, epifânica, a realidade em sua dimensão mais ampla e mais profunda – a verdade em sua forma mais pura, quase terrível, parodiando mais uma vez Dostoiévski.

Precisamos da beleza porque precisamos da verdade para sermos plenamente humanos. Sem o conhecimento da verdade sobre a realidade não é possível realizarmo-nos enquanto seres humanos; não é possível realizar nossa própria beleza, nossa kalokagathia, como postulava Homero na Grécia do século VIII a.C.

Para formar seres humanos no sentido mais amplo, profundo e completo do termo, é preciso, portanto, proporcionar-lhes a experiência da beleza.

A beleza é a âncora que fundamenta o sentido das nossas decisões num mundo de incertezas.

Quais são nossos diferenciais

O que se oferece é um conjunto de itinerários de cultura humanística a serem exercitados por cada participante à medida que se abre à experiência única da Beleza e, simultaneamente, compartilha essa experiência pessoal com os demais participantes. É um itinerário composto por múltiplos percursos, permitindo uma experiência da Beleza verdadeiramente pessoal e, ao mesmo tempo, compartilhada – de modo que a reflexão ética surja a partir da própria experiência estética vivida.

Esses itinerários diferenciam-se:

1) Pelo oferecimento daquilo que pode proporcionar uma experiência estética da beleza;
2) Pela proposição de uma reflexão ampla, profunda e dialógica sobre as verdades éticas que emergem dessa experiência estética;
3) Pelo acompanhamento atento e comprometido dos desdobramentos que essa vivência estético-reflexiva pode gerar nesta jornada formativa.

Para quem seria este programa

Estamos à procura de líderes para o século XXI. Líderes que queiram e saibam formular perguntas – e não apenas respondê-las. Líderes capazes de determinar objetivos – e não apenas cumpri-los. Líderes que questionem se vale a pena fazer algo – e não apenas executá-lo. Líderes que estejam dispostos a deixar-se impregnar pela força estética da Literatura, para, a partir daí, estarem melhor preparados para tomar decisões significativas para um mundo em contínua transformação.

“Temos uma crise de liderança na América porque temos estado formando líderes que só sabem manter a rotina. O que temos agora são os maiores tecnocratas que o mundo jamais viu, pessoas preparadas para ser incrivelmente boas em algo concreto e específico, mas que carecem de interesse que vá além de sua área de especialização. O que não temos, precisamente, são líderes” (William Deresiewicz, As desvantagens de uma educação de elite).

Àqueles que desejarem percorrer estes itinerários de cultura humanística será oferecida a possibilidade de cultivar a capacidade de julgar ‘isto é’, de adquirir um hábito que não é apenas intelectual, mas que envolve também a vontade, o coração, os sentidos, toda a personalidade humana – cujos elementos consistem na liberdade, na equidade, na moderação e na prudência.

Essa capacidade só pode ser exercitada a partir de exemplos, precisamente porque essa formação ocorre quando a pessoa vê o que é bom e belo e se decide a vivê-lo. Ela não pode ser simplesmente ensinada ou aprendida, como um conteúdo, como explicava Kant (Crítica da Razão Pura).

Trata-se, portanto, de desenvolver uma sensibilidade específica: uma sensibilidade para a verdade do que é verdadeiramente humano.

A beleza é a  âncora que fundamenta o sentido das nossas decisões  num mundo de incertezas.

A quem está dirigido

Pessoas com grande potencial e interesse humanístico, inseridas no contexto empresarial ou organizacional. Pessoas capazes de transitar entre o humanismo e a empresa. Pessoas que busquem este tipo de formação como uma escolha existencial. Pessoas com legítima ambição de liderança humanística. Pessoas com comprometimento, maturidade, capacidade de leitura e discussão profunda.

Duração

Agosto de 2026 a Junho de 2028

Frequência:

Mensal: Encontros de 10h cada
Sextas-feiras o dia todo e sábados pela manhã.

Sexta:

9h00 às 10h30 – 1ª sessão de Laboratório
10h30 às 10h45 – Intervalo
10h45 às 12h15 – 2ª sessão de Laboratório
12h15 às 13h30 – Almoço
13h30 às 15h30 – Aula 1

Sábado:

9h30 às 11h30 – Aula 2

Módulos intensivos: Ao longo do programa serão realizados 2 módulos intensivos, de sexta-feira a domingo. O local, datas, horários e programação serão informadas com antecedência para que todos possam se programar.

Fases do Programa:

Fase 1:
ATRAÇÃO e PRÉ-SELEÇÃO

(Abril a Maio de 2026)

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Esta primeira fase constitui o primeiro momento de aproximação e discernimento entre o candidato e o programa.

Seu objetivo é atrair pessoas com inquietação intelectual, sede de conhecimento e real interesse pela formação humanística, bem como avaliar a disposição para o compromisso exigido por estes itinerários.

Esta etapa será composta por:

Sessão informativa, destinada a apresentar a natureza e a exigência do programa, enfatizando que se trata de uma tarefa formativa – e não apenas de um programa. Neste momento, será possível avaliar o interesse genuíno pelas humanidades e pelo impacto organizacional da formação proposta.

Entrevista individual com dois membros do ISE Humanidades, com o objetivo de compreender a trajetória do candidato, suas motivações e sua disponibilidade para o percurso formativo.

Esta fase busca esclarecer, desde o início, a carga de leitura, compreender a intensidade das discussões e o nível de comprometimento esperado.

A continuidade no processo dependerá da demonstração de maturidade, aprofundar a motivação autêntica e a aderência à proposta dos itinerários.

Fase 2:
ENSAIO, LEITURA E DISCUSSÃO

(Maio a Julho de 2026)

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Os candidatos selecionados na Fase 1, participarão da Fase 2, que constitui simultaneamente um momento formativo e seletivo. Esta etapa tem como objetivo introduzir o candidato na experiência própria dos itinerários, permitindo avaliar a sua disposição intelectual, reflexiva e dialógica diante da proposta humanística.

Os instrumentos desta fase serão:

Ensaio pessoal de escrita, a partir de questões orientadoras como:
• Quem é você?
• Por que deseja participar destes itinerários?
• O que espera desta formação?

O ensaio tem como finalidade avaliar a capacidade de reflexão, a autenticidade da motivação e o grau de maturidade existencial do candidato.

Leitura e discussão de uma obra clássica breve da literatura (por exemplo O Espelho, A terceira margem do Rio, Antígona, entre outras obras);

A participação nas discussões permitirá observar a abertura à escuta, a profundidade interpretativa e a capacidade de diálogo.

Esta fase busca fundamentar e resgatar as humanidades como um estudo de vida e como um movimento contínuo de autoaperfeiçoamento. “As humanidades apresentam-se como meio privilegiado de humanização do ser, na medida que amplia as esferas da sua presença, da sua experiência, da sua consciência. As humanidades ajudam-nos a sermos mais humanos.”

A continuidade no processo dependerá da qualidade da participação, do comprometimento demonstrado e da aderência à proposta formativa.

Fase 3:
ENTREVISTAS FINAIS

(Julho a Agosto de 2026)

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A terceira fase será composta por uma ou mais entrevistas com a pessoa responsável pelos colaboradores da Escola, com o propósito de avaliar:

• sua disposição para o compromisso formativo exigido pelo programa;

• sua capacidade de integração ao ambiente comunitário e dialógico dos itinerários.

Poderão também ocorrer encontros adicionais com professores e formadores, caso se considere necessário aprofundar aspectos relacionados à maturidade intelectual, abertura reflexiva e comprometimento pessoal.

Esta etapa constitui um momento decisivo de avaliação e confirmação da continuidade no processo.

IMPORTANTE: A continuidade no processo dependerá da avaliação conjunta de aderência, comprometimento e maturidade formativa.