Professor Fernando Bagnoli
Cautela em investimentos e prudência financeira. Esta é a lição de casa atribuída pelo cenário econômico nacional às empresas e indústrias para o ano de 2015. O baixo crescimento da economia brasileira e a necessidade de um planejamento e ajuste de verbas públicas, acompanhados do baixo crescimento e a crise em diversos setores, como o energético, fazem do ano que chega um desafio substancial.
Diante do cenário de ares apocalípticos, executivos e industriais necessitam de reflexão e, acima de tudo, preparação. O Professor do Departamento de Direção Geral do ISE Business School, Fernando Bagnoli, comenta os desafios da economia e a eficiência como pilar de sustentação perante eles.
Ao que tudo indica, 2015 será um ano de grandes desafios econômicos no Brasil. Você concorda?
Sim, temos pela frente um ano de crescimento menor que 1% e inflação elevada. A nova equipe econômica do Governo deve trabalhar com ajustes fiscais, o que implica no Governo gastando menos em 2015 e isso faz com que o ano seja bastante difícil para as empresas já estabelecidas.
E como elas devem se portar diante deste cenário?
Em 2015, o foco principal deve ser a preservação de caixa e busca de novos negócios. Do ponto de vista da eficiência operacional, a melhor forma de alcançá-la é por meio da melhoria da produtividade e investimentos. Tendo em vista que vem um ano difícil pela frente, os executivos devem analisar se vale investir em novas tecnologias e perspectivas. Mas essa realidade depende da empresa, se ela sente que vale investir não deve deixar a oportunidade passar. Junto com a cautela deve vir a eficiência, que é conseguida por meio de treinamento e consequente melhoria da produtividade.
Em tempos de dificuldades econômicas, o treinamento continua indispensável?
É importante analisar que, mesmo diante da crise, há espaço para melhoria profissional. O treinamento não deve ser abandonado nunca, até porque um dos fatores de melhoria de produtividade é o acréscimo do conhecimento e educação dos funcionários. Por meio da capacitação é que se tem menos gente fazendo mais coisa.
Atualmente, qual é a maior preocupação do trabalhador brasileiro?
A preocupação hoje é a manutenção do emprego, mais do que aumento real de salário. Outra grande tarefa é reduzir a dívida pessoal, ou seja, utilizar a verba mensal para quitação de antigas dívidas em detrimento do acréscimo do consumo. O crescimento brasileiro em 2015 com certeza não virá do aumento do consumo pela população, mas sim de investimentos novos, especialmente em infraestrutura.
Mas infraestrutura depende do Governo.
Para haver esse tipo de investimento é necessário confiança na política fiscal do Governo, por isso a Presidente optou pela montagem de uma equipe com viés monetarista e fiscalista, bem diferente da antiga equipe, que tinha olhar mais desenvolvimentista. Não sabemos até que ponto essa equipe econômica vai ter autonomia e suporte político para seu plano. É necessário apoio político.
Sintetizando. O que o Senhor crê como a melhor maneira de agir em 2015?
Não existe uma receita pronta, eu apontaria a contenção do fluxo de caixa positivo, a redução de investimentos de risco e o treinamento profissional como boas ferramentas para suportar o cenário desfavorável.

