Por Adriana Fonseca
Com uma carreira trilhada no mercado de capitais, Paulo Vasconcellos, 54, envolveu-se com conselhos de administração quando ainda era executivo, no fim da década de 90. “Na época, muita gente nunca tinha ouvido falar de estrutura de governança corporativa”, diz.
Aos 39 anos de idade decidiu sair do mercado financeiro e dedicar-se apenas aos “boards”. “Encarei como uma segunda carreira”, conta ele que, na época, levou em conta questões pessoais e profissionais para fazer a transição. “Eu tinha filho pequeno, queria mais qualidade de vida, já tinha um patrimônio estabelecido e achei que tinha perfil para atuar como conselheiro, além disso, a questão da governança estava crescendo no Brasil.”
Desde 2001 dedicando-se exclusivamente aos “boards”, Vasconcellos já passou por mais de 20. Hoje, é conselheiro apenas do grupo Séculos, composto por dez empresas, e tem atuação ativa no IBGC como professor nos cursos de formação de conselheiros, coordenador de comissão e revisor do código de melhores práticas. “Estabeleci para mim que posso me envolver com, no máximo, três conselhos simultaneamente”, diz.
Para Vasconcellos, é preciso dedicar cerca de quatro dias no mês para cada empresa e isso limita a atuação. O número de reuniões também aumentou, segundo ele. “Hoje são de oito a dez por ano.”
Há cerca de um ano e meio, Vasconcellos acumulou mais uma função quando passou a trabalhar com a Cambridge Advisors, uma consultoria especializada em empresas familiares.
Ex-CEO da Bovespa, Gilberto Mifano, 67, passou a se dedicar a conselhos de administração em 2009, quando se desligou do cargo. Foi uma sequência natural da carreira, já que virou conselheiro quando ainda exercia a função executiva. “Hoje não me vejo com o pique necessário para ser executivo, mas me sinto capaz de contribuir em um colegiado”, diz Mifano, que atua em dois “boards”.
Para José Flávio Franco, 63, a entrada em conselhos de administração também foi algo natural. Aconteceu quando ele tinha menos de 30 anos, em decorrência do cargo que ocupava na época. Hoje ele participa de dois colegiados: grupo Sabemi, do setor financeiro, e Kuraray, do segmento químico. “Não dá para ser conselheiro sem ter experiência em negócios e não vejo cursos que preparem o profissional para essa atuação”, diz ele. “Você consegue agregar valor no conselho quando pensa no que a empresa vai ser amanhã e ajuda a coloca-la na rota para chegar lá.”
É o que Flavio Luz, 65, se propõe a fazer nas sete empresas nas quais atua como conselheiro. Depois de 35 anos como executivo, Luz montou uma consultoria de fusões e aquisições, mas logo enxergou nos “boards” seu pós-carreira.
A entrada nesse seleto grupo deu-se por meio de relacionamentos. Quando decidiu atuar como conselheiro, Luz tirou a certificação do IBGC, fez cursos de especialização e passou a se envolver com profissionais de governança corporativa. “É uma profissão que me dá tremenda satisfação”, diz.
Publicado no Valor Econômico em 05/12/2016


