Organizações Exponenciais e a Desigualdade

Muito tem se comentado sobre Organizações Exponenciais, modelo descrito no livro “EXPONENTIAL ORGANIZATIONS” do autor Salim Ismail, cuja definição é a seguinte:

“Uma organização cujo impacto ou produção é desproporcionalmente grande, pelo menos 10 vezes mais, comparada aos seus concorrentes devido ao uso de novas técnicas organizacionais que alavancam a utilização de novas tecnologias”.

São empresas que oferecem produtos e serviços com benefícios, ou propostas de valor, a um custo, seja monetário ou de aprendizado por parte do consumidor, muito menor do que um concorrente tradicional já estabelecido, o que faz com que ganhem mercado numa velocidade estonteante.

Este é um fenômeno que mantem hoje acordados à noite os Conselhos de Administração e os executivos de empresas tradicionais que não sabem de onde surgirá um novo concorrente para assombrá-los.

Normalmente estes novos players empregam muito menos pessoas ou ativos físicos utilizando tecnologias de informação que digitalizam o que era físico, além de oferecem produtos on-demand. Conseguem, dentro da cadeia de valor, evitar o intermédio de agentes que, no passado, eram necessários, mas que hoje só adicionam custos desnecessários.

Outra forma de atuação é a criação de companhias que facilitam o uso de ativos de maneira compartilhada (sharing economy), desta forma a necessidade da propriedade individual se torna desnecessária, diminuindo por consequência a venda destes ativos.

Tudo isso tem gerado muita preocupação não só nos players tradicionais, mas também nas pessoas que buscam uma ocupação formal. O resultado aqui, sem fazer juízo de valor, tem sido em muitos casos não só a diminuição das posições formais nas empresas, mas também na precarização das oportunidades de sustento de muitas pessoas e suas famílias.

Outra ocorrência é a dificuldade dos governos de taxar adequadamente esta riqueza produzida que se concentra na mão dos fundadores e de poucos acionistas destas empresas. De fato, hoje há um aumento da desigualdade, paradoxalmente sendo criada pela introdução de novas tecnologias, o que não ocorria no passado.

O fenômeno da globalização e o da introdução de novos negócios disruptivos está em algumas regiões do mundo criando uma legião de perdedores, aumentando a desigualdade e favorecendo o aparecimento de populistas que propõem soluções simples (e erradas !!!) para problemas complexos.

Não proponho aqui bloquear o progresso, mas esta é uma situação emergente que precisa de uma análise cuidadosa e solução global.

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